Psicologia da Alma

Jesus, a Psicanálise e o ego esvaziado

Guilherme Cardozo

Ao participar do lançamento do livro Jesus, a Dor e a origem de Sua Autoridade — o Poder do Cristo em nós*2, de Paiva Netto, invadiu meu coração um desejo irrefreável de “devorar” os escritos dessa obra e compreendê-la da forma mais ampla possível, aliando a racionalidade filosófica ao espírito desconstrutor de paradigmas anacrônicos, o qual permeia a doutrina do Celeste Pedagogo com a simplicidade de coração ensinada pelo autor.

Naturalmente que esses estudos elevados influenciam nossa vida. Foi meu caso, pois estudei Psicanálise durante dois anos no mestrado e em minha dissertação vali-me dos temas da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, que aprendi desde a infância, para falar da renovação do ser humano, a partir da vitória sobre si mesmo.

Do livro Jesus, a Dor e a origem de Sua Autoridade — O Poder do Cristo em nós, inspirei-me neste trecho, do prefácio do autor: “A Dor, até agora, é necessária, posto que habitamos um planeta em atraso, onde os atos afastados do Bem, sob diversos aspectos, aparentam prevalecer eternamente. Por isso, chamo-a de iniciática, pois nos conclama, de forma indelével (tantas vezes debaixo de fortíssimo abalo), a atenção para nossos equívocos, na tentativa de nos desviar deles, enquanto é tempo.

Na obra, Paiva Netto traz, ecumenicamente, a contribuição do missionário budista dr. Ricardo Mário Gonçalves, que apresenta a visão da milenar religião oriental acerca da experiência de esvaziamento do ego: “Para o Budismo, a principal experiência do ser humano a ser vivenciada seria uma experiência de esvaziamento do ego, de despojamento”.

A partir dessa noção, iniciamos o diálogo com a ciência psicanalítica.

O esvaziamento do ego é um dos princípios universais utilizado como fundamento pela religião budista. Defendi também ser uma experiência ininterruptamente vivenciada pelo Cristo Planetário, observada quando de Sua primeira vinda visível entre nós. Pelo prisma da Psicanálise e dos estudos de seu fundador, Sigmund Freud (1856-1939), sobre o ego, constatamos de que forma Jesus — o Divino Psicólogo —, de fato, se tornou o Modelo-Mor de despojamento a ser seguido pela Humanidade.

A Psicanálise, segundo Freud, é um procedimento investigatório de processos mentais inacessíveis por qualquer outro modo, com foco no tratamento de distúrbios neuróticos, causados por traumas e/ou situações cotidianas.

Em toda a Bíblia Sagrada podemos encontrar alguns dos chamados homens de Deus enfrentando verdadeiras batalhas psíquicas, guerras impiedosas na esfera moral entre os desejos da carne e as obrigações espirituais: desde Abraão — no famoso episódio da imolação de seu filho Isaac, constante do livro Gênesis — até Paulo de Tarso, o Apóstolo dos Gentios. Este último, em sua carta aos Romanos, traz à tona um caso emblemático de como id e superego agem na estrutura psíquica do ego, confrontando vontades opostas e obrigando o ego a se posicionar imediatamente: “Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim. Pois, no íntimo do meu ser, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros” (Epístola de Paulo aos Romanos, 7:20 a 23).

Essa narrativa ratifica a Divina Autoridade Daquele que é o supino modelo de esvaziamento do ego, ou seja, o único que venceu os antagonismos inerentes ao aparelho psíquico, fazendo com que id e superego não se combatessem na formação do ego: Jesus, o Cristo de Deus!

Percebo que o Médico Celeste criou, por intermédio da evolução de Seu Espírito, uma ligação ininterrupta com o Criador dos Universos, o Todo-Poderoso Deus. Dessa forma, as pulsões inerentes ao id — os instintos sedentos por prazer, poder, entre outras ilusões da matéria — não Lhe acometiam o ego.

É forçoso aferir, então, que o sagrado ego do Cristo, sem as beligerantes ações do id e do superego, foi esvaziado pela vivência contínua do Amor Fraterno, expresso de maneira clara em Seu Mandamento Novo: “Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros” (Boa Nova, consoante João, 13:34 e 35).

Daí a afirmação do Irmão budista, dr. Ricardo, transcrita pelo Irmão Paiva: “Então, em torno dessa noção, estamos num terreno que é comum ao Cristianismo e ao Budismo”.

Com toda a razão o Irmão budista! Por isso, bradamos na Religião do Terceiro Milênio que “o nosso referencial é Jesus”!

 

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*1 Guilherme Cardozo, do Rio de Janeiro, RJ, é doutor em Estudos da Linguagem e professor universitário.

*2 O lançamento do livro Jesus, a Dor e a origem de Sua Autoridade — o Poder do Cristo em nós, de Paiva Netto, ocorreu em 8 de novembro de 2014, durante as comemorações dos 25 anos do Templo da Boa Vontade, na Quadra 915 Sul, em Brasília, DF.

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