Fórum Espírito e Ciência

Espiritualidade, saúde e ciência

André Luiz de Abreu

O Divino Método do Cientista Celeste

Explica o escritor Paiva Netto que, além do sentido literal, a Volta de Jesus também significa a iluminação das áreas do saber humano com as importantes lições de Seu Evangelho-Apocalipse. Reverenciá-Lo como o Cientista Divino pode causar espanto a quem estuda Seus ensinamentos sem buscar neles a razão que enriquece e o sentimento que sublima. Vejamos, por exemplo, o que almeja a Medicina. Hipócrates (460-370 a.C.), considerado o pai dessa ciência, no seu famoso juramento, afirma: “Prometo solenemente consagrar a minha vida ao serviço da Humanidade (…). Guardarei respeito absoluto pela Vida Humana desde o seu início (…)”*2. Encontra-se nas narrativas dos Evangelistas e também em pesquisas de sérios historiadores que Jesus curou pessoas cegas, fez paralíticos andar, cessou a hemorragia de uma mulher e, a distância, restabeleceu a saúde do filho de um soldado. Entre muitas outras inimagináveis curas, de uma só vez expulsou a lepra do corpo de dez homens.

Estudioso do tema há décadas, Paiva Netto afirma: “Milagres existem. Só que não são milagres, isto é, não são fatos que derroguem as leis naturais, mas, sim, acontecimentos que amanhã terão sua explicação científica, sem que seja negada a existência do Divino Poder (…).

Entender racionalmente os fenômenos naturais estudando as ações e reações dos elementos que compõem a matéria é uma definição clássica da Física oriunda da Grécia antiga. Sua finalidade seria entender a mecânica de todas as coisas para prover a raça humana em suas necessidades.

O Cristo de Deus transformou um punhado de pães e peixes em uma quantidade tamanha que saciou a fome de mais de 5 mil famílias. Andou sobre o mar desafiando os princípios da gravidade. Interrompeu uma tempestade. Dado como morto, desprezou o túmulo e continuou a apresentar-se, aos olhos de todos, por quarenta dias.

Poderíamos também abordar o Político Celeste, o Filósofo Universal ou o Educador Infalível, o qual, para todos os segmentos do saber, deixou um Divino Método que os unifica na origem cósmica e, ao mesmo tempo, potencializa as qualidades eternas daqueles que o vivenciam. Sintetizado em Seu Evangelho, segundo João, capítulo 13, versículos 34 e 35, o Cientista das Almas legou-nos o Amor Fraterno: “Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros”.

Para o estudo aprofundado desse amplíssimo conceito, Paiva Netto criou, no ano 2000, o Fórum Mundial Espírito e Ciência, da Legião da Boa Vontade, estabelecendo mesa internacional de debates: “Singela contribuição da LBV ao grande abraço que a Humanidade, esperançosa, aguarda ver definitivamente consumar-se entre a Intuição e o Pensamento Racional, desenrola-se dentro deste juízo: o que a Religião intui, a Ciência um dia comprovará em laboratório. Ciência sem Religião pode tornar-se secura de Alma; Religião sem Ciência pode descambar para o fanatismo. Por isso, no dia ideal que todos desejamos ver surgir no horizonte da História, a Ciência (Cérebro), iluminada pelo Amor (Religião, Coração Fraterno), elevará o ser humano à conquista da Verdade”, destaca.

Em colóquio com a Mulher Samaritana (Evangelho, segundo João, 6:36), asseverou o Divino Mestre: “Mas a hora vem, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em Espírito e Verdade (…). Deus é Espírito e importa que os Seus adoradores O adorem em Espírito e em Verdade”. Mas não imaginemos o Pai Celestial como um ancião sentado em um trono portando um cajado mágico, justiceiro, vingativo, restrito a um grupo de seguidores a enfrentar um ser de cauda, dono de um tridente, responsável por todo o sofrimento na Terra. “Um dos maiores estorvos para o grande amplexo entre Religião e Ciência, que são irmãs, é a continuação, no palco do saber, do deus antropomórfico, caricato, que não prejudica somente o laboratório, como também o altar”, defende Paiva Netto.

Deus está presente no sopro energético que sustenta o átomo e no ardor da Fé que move o sacerdote. Sua obra é o Universo infinito. O desafio é entendê-Lo sem limitá-Lo.

Em agosto de 2015, mais uma bela página em favor da evolução desses temas foi escrita. Por iniciativa de Paiva Netto, o Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica (ParlaMundi da LBV)*3, em Brasília, DF, recebeu representantes das áreas científica e religiosa para um grande debate. A seguir, extratos das palestras ocorridas na ocasião:

Dr. André Stroppa

Hora da busca pela qualidade

Psiquiatra, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), onde é doutorando do Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde (Nupes), o dr. André Stroppa tratou do tema “Saúde e Espiritualidade: quanto mais conhecemos, mais precisamos conhecer”. Ele iniciou sua palestra destacando que, historicamente, religiosidade e saúde sempre andaram juntas: “Nas civilizações antigas (Egito, Grécia, civilizações pré-colombianas e as grandes tradições africanas) a relação entre religiosidade e saúde é tão significativa que, na maioria das vezes, era uma só pessoa que fazia as duas coisas”. E afirmou que, após um período de afastamento, ocorreu um importante reencontro: “No final do século 20 e início do século 21, a absoluta maioria dos estudos publicados vai indicar uma forte relação positiva entre religiosidade, espiritualidade e saúde”.

Na sequência, apresentou pesquisas científicas que demonstram a melhora de pacientes que buscaram apoio nos valores da Espiritualidade. Para ilustrar, cita o livro Handbook of Religion and Health, no qual os autores Harold G. Koenig, Dana E. King e Verna Benner Carson conseguiram reunir, em duas edições, 4.200 estudos que comprovam o restabelecimento de pessoas a partir do momento em que passaram a vivenciar os valores do Espírito.

Na conclusão, dr. Stroppa trouxe sua visão sobre os desafios a serem vencidos: “Existem muitos estudos quantitativos, estatísticos, que demonstram que a espiritualidade se estabelece e é positiva para a saúde. Mas precisamos de estudos qualitativos para saber de que forma ela se estabelece e como podemos construir estratégias em benefício das pessoas. Outro desafio é a inclusão da espiritualidade no ensino e na prática clínica dos profissionais de saúde”.

Mãe Adna Santos de Araújo

Intercâmbio espiritual

Para abordar “Saúde e Espiritualidade na perspectiva das tradições afrodescendentes”, o ParlaMundi da LBV recebeu Adna Santos de Araújo, carinhosamente chamada de Mãe Baiana, Presidente da Ilê Axé Oyá Bagan e coordenadora da região do Distrito Federal da Rede de Saúde Afrodescendente (Renafro).

O Coral Ecumênico Infantojuvenil Boa Vontade, formado por crianças atendidas nas unidades socioeducacionais da LBV, abriu o evento com a canção SOS Terra, letra e música de Nilton Duarte (Salve o Planeta/ Você que tem poder/ Salvemos a Mãe Terra/ Não há tempo a perder). Mãe Adna não conseguia esconder a felicidade. Suas palavras iniciais contagiaram a todos: “Quero agradecer àquelas crianças que falaram muito por meio do seu cântico. Quando saudaram a Mãe Terra, senti uma emoção muito grande, porque dentro da nossa religiosidade não fazemos absolutamente nada sem saudarmos os nossos ancestrais, sem saudar a nossa força, a nossa energia, que é terra, água, ar e fogo”.

Ao abordar as atividades de cunho espiritual que realiza para ajudar pessoas, deixou claro o relacionamento com a Ciência: “Não quero dizer aqui que nós fazemos papel de médico, de forma nenhuma. Mas, sim, trabalhamos juntos. Quando chega uma pessoa no nosso Barracão de Santo, nosso Terreiro, e nos fala que está com qualquer problema, a primeira coisa que a gente faz é perguntar: ‘Você foi ao médico? Você já se consultou? O seu médico lhe disse o quê?’ (…) Então a gente começa a agir”.

Ao final, destacou a ação ecumênica do evento: “Nenhuma Religião é melhor que a outra, nunca foi e nem será. Cada uma com seu espaço. O que temos que fazer é o que está ocorrendo aqui, agora: um intercâmbio espiritual. Temos que unir as pessoas e as nações. Olhar um para o outro e dizer ‘eu sou igual a você, e você é igual a mim’. Pegar na mão do outro e dizer: ‘Estamos juntos!’”.

Dr. Julio Peres

A Espiritualidade na superação de traumas

O psicólogo e doutor em Neurociências e Comportamento pela Universidade de São Paulo (USP) Julio Peres tratou do tema “Espiritualidade, religiosidade e psicoterapia”. Começou apresentando um vídeo de pessoas que superaram seus problemas de saúde tendo a religiosidade como apoio no tratamento.

Embasou suas palavras em diversos artigos científicos, a exemplo de “Deve a psicoterapia considerar a reencarnação?”, publicado no centenário científico Journal of Nervous and Mental Disease. Também citou o recente trabalho que conduziu com policiais militares de São Paulo, no qual conseguiu provar, por meio de moderna ressonância magnética funcional (neuroimagem), que experiências traumáticas podem ser revertidas com a psicoterapia. O estudo foi elogiado por pesquisadores de diversos países.

Explicou de que forma, clinicamente, a Fé pode prevenir o trauma: “A espiritualidade constitui uma parte importante dos valores utilizados pelas pessoas. Fornece ordem e compreensão de eventos dolorosos, caóticos, imprevisíveis, que são os traumas. Portanto, se o indivíduo tem um jeito espiritual de enxergar o mundo, tem um Deus provedor que a tudo assiste, ele pode encontrar mais facilmente um significado para o que está acontecendo, um sentido maior para aquele evento traumático. As pessoas que têm traços de solidariedade, gratidão, interesse e amor, o que chamamos de fatores de ajustamento, são mais resilientes, ou seja, têm maior capacidade de atravessar uma situação difícil, dolorosa, e voltar à qualidade satisfatória de vida, muitas vezes superior à que elas tinham antes do evento estressor acontecer. É um despertar”.

Citou estudos de neuroimagem que comprovam que o cérebro funciona melhor fazendo o Bem: “A atitude da caridade mostra que as regiões mesolímbicas associadas ao bem-estar do indivíduo são mais ativadas durante atos de caridade que em atos egocêntricos. Interessante, não é? Em outras palavras, as pessoas que fazem o Bem, sentem-se bem”.

No término, ao falar sobre reencarnação, apresentou pesquisas que apontam o grande percentual de pessoas que, em todo o mundo, acreditam nas vidas sucessivas e que, em virtude desse índice demográfico, os estudos não podem parar.

Em primeira mão, trouxe resultados inéditos de pesquisas neurocientíficas realizadas nas Universidades da Pensilvânia (EUA) e de Aachen (Alemanha), nas quais, por meio de modernos equipamentos, se averiguou que, durante os trabalhos de incorporação mediúnica, a área em uso do cérebro do sensitivo tem menor atividade em comparação a quando ele está escrevendo ou pintando sem a influência espiritual. Esse fato sugeriria uma autoria espiritual para as obras produzidas, dado o grau de complexidade e a baixa atuação das funções cerebrais do médium, enquanto em transe.

Monge Shôjo Sato

De ateu a religioso: uma revelação do Monge Shôjo Sato

O coordenador do Templo Budista Terra Pura de Brasília emocionou a todos durante o Fórum. Monge desde 1998, Shôjo Sato recolheu pontos de todos os palestrantes e destacou a importância dos temas para a evolução dos seres. Em um gesto de carinho, disse que todos eles “poderiam ser monges budistas”.

Traçando um paralelo entre Ciência e Religião, deteve-se em um ponto que o dr. Julio Peres acabara de abordar: “Despertar! O despertar também é uma linguagem budista. Despertar do trauma, pela meditação budista, também é [modo de melhorar-se] muito conhecido e até recomendado pelos médicos, psicólogos e psiquiatras. A meditação budista não é apenas uma técnica de concentração. Também é despertar as nossas virtudes a partir do trauma, do sofrimento”.

Falando da influência mística e ecumênica que o Templo da Boa Vontade exerce naqueles que o visitam, fez uma surpreendente revelação: “Queria agradecer, antes de mais nada, ao jornalista Paiva Netto. (…) Minha ligação com o TBV é antiga, antes mesmo de me tornar monge. Talvez a responsabilidade [de minha conversão] seja da LBV. Ficava andando na Espiral e chegava embaixo do Cristal para receber a luz que passava por ele. E isso contribuiu muito para me ligar à espiritualidade. Na época eu era ateu”.

Dr. Carlos Eduardo Tosta

Amor: a Metenergia que cura

Com o tema “O poder curativo do amor — evidências científicas”, o dr. Carlos Eduardo Tosta, imunologista e professor emérito da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), iniciou sua prédica destacando a união de conceitos: “O professor tem obrigação de divulgar aqueles dados que a ciência reconhece como verdadeiros. Já o médico tem a obrigação de procurar os métodos mais eficazes para cuidar de seus pacientes. Estou convencido de que o Amor é a força mais poderosa em relação à saúde. Então, por uma obrigação, por uma honestidade profissional, tenho que usar essa força, que é o poder do amor na cura”.

Antigo pesquisador do ramo da Imunologia que estuda a influência das emoções no organismo humano, dr. Tosta brindou a plateia com uma novidade científica: “Estou lançando, em primeira mão, a Teoria das Redes Metenergéticas, na qual tenho trabalhado há alguns anos e que transcende as quatro energias físicas: Eletromagnetismo, gravidade, força nuclear forte e força nuclear fraca”. A metenergia também reconhece outras redes metafísicas de ligação entre pessoas, como a Consciência Cósmica (ou Prana), dos Vedas, ou a Teoria do Inconsciente Coletivo, de Carl Gustav Jung (1875-1961). Em seu novo postulado, dr. Tosta tenta provar cientificamente que as interligações entre todas as pessoas têm a afinidade afetiva, o amor, como força reguladora. A partir dessa premissa, explica como a oração, a reza, o pensamento positivo, direcionados a alguém que se ama, funcionam efetivamente: “O amor não é restrito ao espaço: é onipresente, atua em todos os lugares no mundo físico e no extrafísico, espiritual. Não é restrito a tempo: é eterno. Atua no passado, no presente e no futuro. Não é bloqueável por barreiras físicas, emocionais ou mentais. O amor, como energia espiritual, vence qualquer outra energia negativa. O amor é a força curativa mais poderosa que temos”.

 


*1 André Luiz de Abreu, do Rio de Janeiro, RJ, é coordenador editorial e estudioso dos temas da Espiritualidade.

*2 Versão de 1983, adotada pela Associação Médica Mundial. Seu teor é lido como juramento na cerimônia de formatura de alunos de Medicina em diversas partes do mundo.

*3 ParlaMundi da LBV — Faz parte do Conjunto Ecumênico do Templo da Boa Vontade, localizado na Quadra 915 Sul, em Brasília, DF. Para informações, ligue: (61) 3114-1070.

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