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Miscigenação, Ecumenismo e um coração sem fronteiras

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O mundo inteiro comove-se com as cenas chocantes que as deportações de imigrantes promovem. Em busca de melhores oportunidades de emprego e uma vida tranquila, com educação, saúde e boa alimentação, muitas pessoas abandonam suas pátrias de origem e cruzam fronteiras, certas vezes às cegas, com algumas malas e muitos sonhos. É bem verdade que, desde que o mundo é mundo, todas as nações são fruto de movimentos migratórios. Mas, quando se fala em cidades organizadas, erguidas por uma geração, o ato de receber um “forasteiro” começa a ter peso diferente.

Em tempos recentes, as cabeças que cuidam da organização político-social do mundo têm vivido esse dilema mais acentuadamente. Se por um lado as pessoas que  chegam a um país podem ajudar na realização dos serviços básicos, a desenvolver indústria e comércio, somando positivamente na sociedade, por outro, o fator quantidade começa a incomodar aos mais conservadores, que repudiam os êxodos alegando preservação da cultura e prioridade nos serviços públicos criados pela sua organização social ao longo do tempo.

Claro que devemos respeitar a hegemonia de um país, suas leis e a diversidade de opiniões. Mas, em alguns casos, ver pessoas serem deportadas com algemas, muitas vezes catalogadas sumariamente como criminosas, são situações que precisam ser revistas. Mães sendo separadas de filhos, pais sendo tirados dos seus lares… Essas ocorrências têm causado constrangimento em toda uma sociedade. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, Carta Magna emitida pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 10 de dezembro de 1948, postula em seu primeiro artigo: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade”. Vale lembrar que quem presidiu a comissão que formulou esse importante documento foi a ex-primeira-dama norte-americana Eleanor Roosevelt (1884-1962).

Diante de eventos de deportação recentes, muitas pessoas se sensibilizaram e se manifestaram pelo mundo. Governos, imprensa, internet, ONGs, pessoas de esquerda, de direita, de centro… Todos eles, de alguma forma, denunciavam que, mesmo sabendo que existe um debate histórico aberto, alguns métodos de deportação atentam contra o protocolo de diplomacia estabelecido entre as nações.

Entre vários artigos, vídeos e documentários sobre Direitos Humanos, um em especial nos salta aos olhos. Estamos falando de “A miscigenação do mundo é inevitável”, artigo do contundente e fraterno escritor Paiva Netto (1941-1925), que recorre à História, à Biologia e a diversas pesquisas antropológicas para questionar: “Desde a monera, quem não é miscigenado neste mundo?”

Curioso que o primeiro dado que ele traz no texto é justamente relativo aos EUA. O país, que tem sido pivô dessas questionáveis situações de expatriação, há décadas tinha incluído a classificação “mestiço” em seu censo, para contemplar parte expressiva da população norte-americana que é miscigenada. Mas é o mergulho na história do velho continente que chama mais a atenção. Diz o Irmão Paiva: “Mesmo a Europa teve, em várias ocasiões de sua história, toda ordem de imigrantes, escravos e invasores a exemplo dos hunos, povo da Ásia Central, que invadiu o continente sob a liderança de Átila, em meados do Século V, infligindo graves derrotas e submetendo a tributo os imperadores de Roma e de Constantinopla, além de devastar a Gália e atravessar a Germânia, região onde surgiria, séculos depois, Hitler (1889-1945), que, com base na falsa ideia de raça ariana pura, chacinou milhões de judeus, ciganos, eslavos e pessoas com deficiência. Teriam ficado os invasores dos territórios germânicos em estado permanente de castidade? Ou deixaram lá a marca étnica em decorrência do cruzamento inter-racial, após tantos séculos diluído? Lembremo-nos da famosa ‘mancha mongólica’”.

Esse artigo do autor foi publicado em seu livro Paiva Netto: Crônicas & Entrevistas (Editora Elevação), do ano 2000, mas a colocação a seguir está atualíssima: “Vai ficar difícil abrir mão da humanidade, como parece que alguns radicalmente pretendiam fazer com a nova globalização: mais produtos e menos operários produzindo. (grifo nosso)

A marca do Líder Espiritual da Religião Divina sempre foi a vanguarda. E suas teses nascem de profunda coerência, não somente iluminadas pela Espiritualidade Maior, mas também construídas em seus incansáveis estudos, ao logo de tantas madrugadas de sua existência entre nós.

Ao abordar esse tema, vale também saudar o sempre lembrado Irmão Alziro Zarur (1914-1979), que foi o primeiro a pregar e praticar o Ecumenismo no Brasil, especialmente com a desbravadora Cruzada de Religiões Irmanadas*.

Hora ou outra reparamos, pelo mundo, pessoas de bom senso que se manifestam com o mesmo viés no assunto. Como foi o caso da prestigiada atriz Meryl Streep, que, ao ser a grande homenageada de uma das edições do Globo de Ouro, destacou: “Hollywood é apenas um bando de pessoas de outros lugares”. Na sequência, ela cita a origem de diversos atores famosos que estavam lhe assistindo na plateia: “Eu nasci, fui criada e educada nas escolas públicas de New Jersey. Amy Adams nasceu em Vincenzo, Itália. Natalie Portman nasceu em Jerusalém. A linda Ruth Neal nasceu na Etiópia. Ryan Gosling é canadense. Dave Patel nasceu no Quênia (…) Hollywood está cheia de forasteiros e estrangeiros. E se expulsarmos todos eles daqui, não teremos nada mais para assistir além de futebol  (risos)” .

Os atores: Ryan Gosling, Amy Adams, Dave Patel, Maryl Streep, Natalie Portman e Ruth Neal

A linguagem do Amor Universal apresentada pelo Irmão Paiva em suas pregações e escritos encontra bastante consonância em diferentes corações pelo mundo. Um exemplo emblemático é o do respeitado estadista português Mário Soares (1924-2017), que, ao visitar o Templo da Boa Vontade, em Brasília/DF, ficou encantado com este pensamento do Presidente-Pregador da Religião do Terceiro Milênio, exposto em um dos ambientes do TBV: “Enquanto não prevalecer o ensino eficaz por todos os de bom senso desejado, qualquer nação padecerá cativa das limitações que a si mesma se impõe”.

Do artigo em destaque, ainda encontramos o autor destacando o fraterno vaticínio do padre, escritor e pedagogo italiano Dom Bosco (1815-1888), que previa que o mundo iria misturar-se “como um oceano”, a partir de um “grande acontecimento no Céu”.

Vale muito a pena a leitura, a reflexão sobre o tema e o compartilhamento do genial “A miscigenação do mundo é inevitável”, da Alma ecumênica de Paiva Netto para a Eternidade. Clique aqui e acesse agora no blog PaivaNetto.com.

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