Editorial

A Missão dos Setenta e a Lição do Lobo (final)

Este espaço em JESUS ESTÁ CHEGANDO! vem sendo utilizado por mim — atendendo à solicitação de vários leitores — para que sejam publicados trechos de uma palestra que proferi de improviso, em 31 de dezembro de 2004, no Rio Grande do Sul. Aproveitei o ensejo para revisar e juntar novas considerações sobre o tema, cujo fundamento é o Evangelho de Jesus, segundo Lucas, capítulo 10.

Durante esse período, em diversas oportunidades, testemunhei, pessoalmente ou pela Mídia da Boa Vontade (Rádio, Televisão e Internet: www.boavontade.com), a desenvoltura com que os jovens da Militância Ecumênica da Religião de Deus abordaram o assunto que lancei às consciências como contribuição ao fortalecimento moral e espiritual ante as lutas da vida moderna. Este fato me trouxe imensa alegria à Alma.

Neste número de JESUS ESTÁ CHEGANDO!, apresento-lhes a parte final da explanação que fiz ao raiar do ano de 2005. Por se referir à lição eterna do Divino Pastor, por certo corresponderá, ainda que modestamente, à atual e profunda necessidade da Criatura Humana de vivenciar, no dia-a-dia, os ensinamentos do Criador de nossas existências:

 

O princípio está em cada um de nós

(…) Ninguém nestas Obras de Boa Vontade*1 deve ferir a própria mente no alimentar obstáculos doentios, pois veremos nos próximos anos a glória de todo o nosso esforço. O princípio do Bem existe em cada um de nós. Ensinou Paulo Apóstolo na Segunda Epístola aos Coríntios, 6:16:

 

— “(…) Vós sois o Templo do Deus vivo (…)”. 

 

Alguém pode perguntar: “— E as lutas?

 

Enfrentemo-las! Virar sedentário moral é que provoca tanta coisa ruim no grande corpo coletivo chamado sociedade mundial. Qualquer um, neste Planeta, por menor que se considere, é uma peça vital do extenso organismo Humanidade. Mais uma vez, recordo-me do que constantemente afirmava o saudoso Irmão Alziro Zarur (1914-1979):

 

 “Um pequeno nervinho de um dente cariado abala, com sua dor, todo organismo humano”. 

 

Você quer continuar elegante, minha jovem? Mova-se! Vá socorrer os que sofrem, com a força do seu coração bem-formado. Rapaz, quer guardar a fortaleza dos músculos? Exercite-se no serviço do Bem, porque qualquer coisa que Você fizer de mal é sobre a sua cabeça que cairá.

Quanto a sobrepujarmos quaisquer dificuldades que possam surgir no caminho, tenhamos em mente este ensinamento do Cristo:

 

 “Se tiverdes Fé do tamanho de um grão de mostarda, direis aos montes:  Saiam daqui, lancem-se ao mar, e assim acontecerá. Nada vos será impossível”. (Evangelho, segundo Mateus, 17:20).

 

Razão e fascínio

No Evangelho, segundo Lucas, 10:7, lemos esta advertência do Cristo de Deus aos Seus discípulos que se propuseram a divulgar a Boa Nova Dele pelos rincões da Terra e que naturalmente precisariam hospedar-se nas residências das pessoas que aderiam ao Santo Evangelho:

 

— “Não andeis a mudar de casa em casa”. 

 

Recordo-me do velho Legionário da Boa Vontade Achilles de Andrade de Souza (1913-1989) dizendo:“Macaco que pula de galho em galho quer chumbo”. Quer dizer, no caso, chumbo moral, espiritual.

“Não mudar de casa em casa” significa também não ser frugal no raciocínio. Hoje, encara um fato espiritualmente dessa maneira, amanhã, de outra forma…

“Ah, mas então não querem que eu evolua?” 

 

Claro que sim. Jesus prega a nossa evolução. Minha advertência é contra o comportamento dos chamados “maria-vai-com-as-outras”. Aliás, aos 18 anos, escrevi uma página intitulada Razão e Fascínio, que retrata bem o meu pensamento a respeito do assunto. E a fiz constar de Diretrizes Espirituais da Religião de Deus, vol. II, na p. 21:

Zarur costumava dizer nas suas pregações — “atingir o equilíbrio é a meta suprema”. E concluía — “o Bem nunca será vencido pelo mal”. Ora, para não ser atingido pelo mal, pecado, frustração ou como queira chamar, o Ser Humano deve ter Boa Vontade, o que significa dizer: conservar, ao lado de acentuado bom senso, vontade firme. Será, pois, aquele que cultiva o equilíbrio, por pior que seja a tempestade; que sabe aquilo que realmente é, visto que ilumina seu caminho na Verdade (de Deus) e não nega de antemão o que pode existir. Sabe porque sabe, isto é, porque aprende humildemente, sem considerar-se dono da Verdade. Já o falho de ânimo, que se permite arrastar pelos outros, ou pela aparência dos fatos, acredita naquilo em que as pessoas em quem acredita disseram para acreditar… Assim o faz por gostar delas e de certas coisas, às quais se acostumou e crê não poder viver sem… Este é o prisioneiro das convenções, o “maria-vai-com-as-outras”. Aqui entra o sentimentalismo censurado por R. H. Blyth (escritor citado porJosé J. Veiga) como aquilo que “é dar às coisas mais ternura do que Deus lhes dá”. Traduzindo em linguagem simples, é ser “mais realista do que o rei”. Resumindo: o primeiro, o de Vontade Boa, guia-se pela razão iluminada por Deus; o segundo, o de vontade negligente e que não conheceu a verdadeira iniciação espiritual, deixa-se dominar por fascínio. É um triste escravo do medo.

 

Verdadeira libertação

Vamos agora à análise ecumênica das anotações de Lucas, 10:9 a 12, sobre as palavras de Jesus:

 

10:9  “Curai os enfermos que nela houver, e anunciai-lhes: A vós outros está próximo o Reino de Deus”. 

 

Que tal elegermos este Ano o da caminhada mais forte para o florescimento na Terra do Reino de Deus que está próximo? Tão perto que se encontra dentro do próprio Ser Humano, consoante Jesus revela na Sua Boa Nova*2. Por isso, não precisamos buscar longe o que intrinsecamente se encontra em nós. É palmar que gostamos de ir aos lugares nos quais tudo vibra positividade, em que se ora, ou locais com paisagens maravilhosas. É benéfico ao Espírito, mas não que isso seja inafastavelmente necessário para a nossa libertação. Libertamo-nos realizando o Bem, de acordo com as Leis Divinas, que não podem ser interpretadas pelo prisma do ódio, porque “Deus é Amor” (Primeira Epístola de João, 4:8).

Enquanto expresso estas despretensiosas reflexões, alguém pode cogitar: “Lá vem ele com essa história de caridade!” Com certeza, é a conclusão de alguém que ignora que a Caridade não se limita ao ato de dar um pão ao pedinte. Por exemplo, a verdadeira Política, quando é exercida no benefício dos povos, deveria chamar-se Caridade, porque é uma estratégia de Deus*3. Por sinal, encontramos até mesmo céticos que se esforçam por seguir esse comportamento. Por isso, saudamo-los aqui como nossos Irmãos. “Ateu também é filho de Deus”.

É imprescindível não nos esquecermos de que Deus é Amor — conforme definiu João Evangelista. Amor é sinônimo de Caridade. Paulo Apóstolo ressalta: Fé, Esperança, Caridade, as três virtudes teologais. “A mais importante delas”, destaca, “é a Caridade”. Logo — consideramos então — sustenta as demais. Trata-se da sintonia que nos mantém afinados com os objetivos maiores da Criação. Daí, o Natal Permanente da LBV, lançado pelo sempre lembrado Irmão Zarur, sob a invocação de “por um Brasil melhor e por uma Humanidade mais feliz!”

 

Nem o pó daquelas cidades interessa às nossas sandálias

 

“10 Quando, porém, entrardes numa cidade, e não vos receberem, saí pelas ruas, e clamai: 

“11 Até o pó da vossa cidade, que se pegou aos nossos pés, sacudimos contra vós”. (…)

 

Vejam, não é para jogar a sandália no rosto de ninguém. Sacudir o pó é um símbolo, pois nem o pó da ignorância reinante interessa às sandálias dos peregrinos que servem ao Cristo e que, por isso, não têm tempo a perder com discussões estéreis ou promotoras de vaidades.

 

Levar, sempre, o recado de Deus

 

11 (…) Não obstante, sabei que está próximo o Reino de Deus.” 

 

Assim chegamos ao ponto crucial deste capítulo, nesta análise que estamos fazendo dele: Recebeu uma elevada missão, cumpra-a. Não crie dificuldade para o seu próprio progresso espiritual e, conseqüentemente, material. E não transfira a culpa de seus fracassos para os outros. Trate de se corrigir e aprenda a trabalhar em equipe, para o que é imprescindível que se liberte do grande transtorno que é alimentar diferenças pessoais. A respeito do enorme prejuízo que isso provoca, com graves conseqüências para o infrator da Lei do Cristo, que determina a união entre os Seus verdadeiros servidores, escreveu o ilustre Dr. Bezerra de Menezes, pela psicografia de Francisco Periotto:

 

São Paulo, sábado, 22/7/2006

 

Os Seres de Boa Vontade não podem jamais permitir as vaidades nem os personalismos. Isto é uma tragédia. Não deixem ninguém se levar por esse comportamento. Alertem seus companheiros de jornada, para o bem deles próprios, para o bem da Causa pela qual lutam. Todos aqui em Cima somos constantemente testados em nossas pequenas qualidades, pois o Cristo não brinca com a hierarquia. (…) Se não somos nada perante a Cristandade, imaginemos o mal que ocorreria se permitíssemos os personalismos sobreviverem em nós. 

Uma lição que deve reinar: todos são importantes, todos são úteis, todos de alguma forma podem contribuir. Se fizermos a nossa parte, os Espíritos jamais deixarão de fazer a parte deles. 

Sejam sempre os primeiros a servir. (…) Somente assim os Espíritos poderão ajudá-los. (…) Jesus não tem tempo a perder. A ordem é UNIR, a ordem é CONGREGAR. Um rolo compressor desce do Mundo Espiritual sobre a Terra. 

 

Aqueles que não abandonaram sua tarefa estarão lá na frente quando os que assim não o fizerem voltarem a abrir os olhos para a realidade da existência, a qual, neste mundo enganoso, ainda poucos vêem.

Muita gente não quis ouvir a Mensagem Redentora do Cristianismo do Cristo*4. Esses perseguiram Pedro, Paulo, João e os demais que se mantiveram fiéis a Jesus. Todavia, mesmo sendo incompreendidos por certa parte do Povo, os Apóstolos e Discípulos de Jesus não deixaram de dar o recado. Aí é que está. Surgiram empecilhos? Nestas horas é que Você mostra a sua perseverança, o seu talento apostólico. Se só quer facilidade, então Você não é de nada, diante de Deus. Depois não vá reclamar, lá adiante, da sua vida, quando se descobrir em situações dificílimas por Você criadas, por ter deixado de honrar o seu dever. E lembre-se, o alicerce de um mundo equilibrado, estável, feliz, é o de que cada um cumpra com suas obrigações. Senão viveremos eternamente a impunidade, a avacalhação, o caos a atingirem os fundamentos, as estruturas da convivência civilizada, até que elas venham abaixo, esmagando tudo e todos. A História está repleta de exemplos.

 

Televisão não é para educar?!

O que acho curioso, além de trágico, é que alguns promovem tudo o que é baixaria, às vezes pela mídia, e depois se reúnem, na mesma mídia, visando encontrar a solução para os estragos provocados por aquilo que promoveram na própria mídia.

“Ah, mas televisão não é para educar”, afirmou um distraído.

Também não é para deseducar!, logo lhe respondemos enfaticamente.

Cabe aqui esta admoestação de Jesus, no capítulo 10 do Seu Evangelho, segundo Lucas:

 

“12 Digo-vos que, naquele dia, haverá menor rigor para Sodoma do que para aquela cidade que não quis ouvir o chamamento”.

 

O texto bíblico refere-se a “cidade”, mas pode ser um país, uma vila ou uma única casa.

 

Estejamos atentos aos sinais da Volta de Jesus

Entretanto, é preciso ao pregador, ou à pregadora, adequadamente fazer o convite à meditação do ouvinte, do telespectador, do internauta, do interlocutor.

 

“É, mas o senhor está bem exaltado!” 

 

Não! Estou apenas sendo eloqüente. Afinal, começamos um Ano-Novo, quando a barulheira dos fogos e das festas é infernal! (risos). Há, portanto, muita gente desatenta. É só por isso. E é indispensável que eles escutem o que está sendo dito aqui, pois se trata dos deveres de um apostolado que exige atenção e grande responsabilidade, principalmente porque vivemos um instante grave na História, anunciado desde os mais antigos profetas, em especial, no Apocalipse de Jesus, que Zarur denominava “o mais importante livro da Bíblia Sagrada na atualidade planetária”:

A Sexta Trombeta

Capítulo 9

 

“13 O sexto Anjo tocou a trombeta, e ouvi uma voz procedente dos quatro ângulos do altar de ouro que se encontra na presença de Deus, 

“14 a qual dizia ao sexto Anjo, o mesmo que tem a trombeta: Solta os quatro Anjos que se encontram atados junto ao grande rio Eufrates

“15 Foram, então, libertados os quatro Anjos que se achavam prontos para a hora, o dia, o mês e o ano, para que matassem a terça parte dos homens. 

“16 O número dos exércitos da cavalaria era de vinte mil vezes dez milhares; eu ouvi o seu número: duzentos milhões. 

“(…) 

“20 Os outros homens, aqueles que não foram mortos por esses flagelos, não se arrependeram das obras das suas mãos, pois não deixaram de adorar os demônios e os ídolos de ouro, de prata, de cobre, de pedra e de pau, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar,

“21 nem ainda se arrependeram dos seus assassínios, nem das suas feitiçarias, nem da sua prostituição, nem dos seus furtos”. 

 

E como os outros homens que não foram mortos não se arrependeram de suas más obras (20 e 21), Deus — para que não destruam de vez a Terra — teve de mandar o Sexto Anjo do Sexto Flagelo:

 

O Sexto Flagelo 

Capítulo 16 

 

“12 Derramou o sexto Anjo a sua taça sobre o grande rio Eufrates, cujas águas secaram para que se preparasse o caminho dos reis que vêm do lado do nascimento do sol (o Oriente)

“13 Então vi sair da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs; 

“14 porque estes são espíritos de demônios, operadores de sinais, e se dirigem aos reis do mundo inteiro, com o fim de ajuntá-los para a peleja do grande dia do Deus Todo-Poderoso. 

 

“15 (Eis que venho como vem o ladrão. Bem-Aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para não andar nu, e não se veja a sua vergonha.) 

“16 E os ajuntou num lugar que em hebraico se chama Armagedom”. 

 

Vocês — que ouvem a nossa pregação do Apocalipse aos Simples de Coração — com certeza sabem por onde passa o grande rio Eufrates, “cujas águas secaram para que se preparasse o caminho dos reis que vêm do lado do nascimento do sol (o Oriente)”.

Apesar de todos os avisos que a nós descem do Mundo Espiritual, o Ser Humano provoca o Armagedom, de que tanta gente fala, sem, às vezes, saber do que se trata.

 

Apanhados de surpresa

E lembre-se de que nessas ocasiões a maioria é apanhada de surpresa*5. Temos, pois, de alertar a todos civilizadamente, mas com a pujança necessária. Foi Jesus quem disse que o grande dia de Sua Volta Triunfal será quando menos se esperar, porquanto as multidões andam dispersas pelas convocações da existência humana e/ou mundana que, mais tarde, se revelarão dolorosíssimas aos que desertam Dele e de Sua Doutrina:

 

 “Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos  assim será também a vinda do Filho de Deus” (Evangelho, segundo Mateus, 24:38 e 39).

 

Que tal acreditar em Jesus e fazer como “os setenta” que Ele mandou ao mundo? Bem que muitos deles, antes deslumbrados pelos milagres de que foram testemunha enquanto cumpriam de maneira correta a missão que o Divino Taumaturgo lhos incumbira, logo covardemente desertaram por não suportarem o duro discurso doutrinário que Ele em outra ocasião proferira:

 

“Quem pode suportar palavras tão enérgicas?” (Evangelho, segundo João, 6:60)

 

Pregação austera

E depressa se escafederam.

 

Para os que não têm conhecimento dessa pregação austera de Jesus, que resultou na deserção de muitos que O acompanhavam, faço a seguir um resumo dos versículos 22 ao 59 do capítulo 6 das anotações do Evangelista-Profeta João:

Logo após a multiplicação de pães e peixes realizada num monte às margens do Tiberíades, o Divino Mestre afastou-se em direção a Cafarnaum. Os que souberam das maravilhas feitas pelo Cristo Ecumênico foram ao encontro Dele. Nesse momento, o Divino Educador proferiu uma séria exprobação aos que O procuravam:

 

 Em verdade, em verdade vos digo que me buscais não pelos prodígios que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes. Contudo, trabalhai não pela comida que perece, mas pelo alimento que perdura pela vida eterna, a qual o Filho de Deus vos dará, porque a este o Pai, Deus, o selou”.

 

Em seguida, Jesus cria grande celeuma ao revelar-lhes ser o Alimento Espiritual dos Povos:

 

“Eu sou o Pão Vivo que desceu do Céu; se alguém comer desse pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu ofereço pela vida do mundo”. 

 

Houve ruidosa divergência entre os que ouviam a preleção do Filho de Deus e que murmuravam entre si:

 

“Como nos pode este Jesus dar a Sua carne a comer?” 

 

Disse-lhes mais o Provedor Celeste, enfrentando a ignorância deles:

 

“Quem come da minha carne e bebe do meu sangue tem a Vida Eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come da minha carne e bebe do meu sangue permanece em mim, e Eu, nele”. 

 

É claro que o Cristo Ecumênico não está aqui defendendo a antropofagia. A carne a que Jesus se refere é a riqueza de Sua doutrina e o sangue, a perseverança, o sacrifício a ser aceito pelos Seus discípulos ao abraçarem a Causa do Apostolado Divino. Foi quando Jesus, que não brinca com coisa séria e nem se importa com a excessiva suscetibilidade geralmente denunciadora dos fracos de caráter, virando-se para os doze que haviam permanecido, interrogou-os:

 

“E vós? Quereis ir com eles também?” 

 

Comentário de Zarur

Recordo-me, ainda, de um importante comentário do saudoso Proclamador da Religião de Deus, Alziro Zarur, feito na década de 1960, sobre esta polêmica passagem do capítulo 6 do Evangelho segundo João:

 

“(…) Como dizia São Paulo: ‘As coisas espirituais se discernem espiritualmente’. Do contrário, parecem loucura. Diz mais o Apóstolo dos Gentios: ‘A letra mata, o Espírito vivifica’ (Segunda Epístola aos Coríntios, 3:6). O Pão Vivo que desceu do céu é a própria carne de Jesus para nos alimentar, são os Seus ensinamentos de Vida Eterna, é a palavra de Deus. Quem seguir esses preceitos se alimentará Dele para todo o sempre. Viverá Dele, obedecendo a Ele, tão intimamente como se estivesse comendo a própria carne de Jesus, bebendo o Seu sangue. 

“Alguns discípulos não gostaram e ficaram achando que o Divino Mestre não estava no Seu juízo perfeito e se afastaram Dele. 

“(…) Mas o Cristo de Deus perguntou também aos doze Apóstolos se eles queriam ir embora como os outros foram. Vemos que Jesus prefere perder todos a modificar o ensinamento da Verdade, a desobedecer ao Pai Celestial, ainda que fique sozinho, mas a Verdade Ele a sustentarácuste o que custar! Vemos que São Pedro disse muito bem: ‘Mas, para onde iremos, Senhor? Para quem, se tens palavras da Vida Eterna? Nós cremos e sabemos que Tu és o Santo de Deus’.” 

“Bela confissão. Então, Jesus responde:‘Eu não vos escolhi? Entretanto, um de vós é um demônio!’ Jesus já sabia que a função de Judas seria a de traidor. Isso prova que a gente às vezes é obrigada a suportar um Judas muito tempo. É que ele só pode sair na hora determinada pela ‘Turma de Cima’ (do Mundo Espiritual). Que veja quem tem olhos de ver, que ouça quem tem ouvidos de ouvir, porque esta é, realmente, a Palavra de Deus”. 

 

 

Jesus é abandonado por muitos discípulos — O testemunho de Pedro

Para esclarecimento de todos, eis aqui a passagem do Evangelho do Cristo a que nos referimos, segundo João, 6:60 a 71:

 

“60 Muitos, pois, dos Seus discípulos, ouvindo isto, disseram: Duro é este discurso; quem o pode suportar?

“61 Mas, sabendo Jesus em si mesmo que murmuravam disto os Seus discípulos, disse-lhes: Isto vos escandaliza? 

“62 Que seria, pois, se vísseis subir o Filho de Deus para onde primeiro estava? 

“63 O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita. As palavras que Eu vos tenho dito são espírito e vida. 

“64 Mas há alguns de vós que não crêem. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quem eram os que não criam, e quem era o que o havia de entregar.

“65 E continuou: Por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai lhe não for concedido.

“66 Por causa disso, muitos dos Seus discípulos voltaram para trás e não andaram mais com ele.

“67 Perguntou então Jesus aos doze: Quereis vós também retirarvos? 

“68 Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós, se apenas Tu tens as palavras da Vida Eterna? 

“69 E nós já temos crido e bem sabemos que Tu és o Santo de Deus. 

“70 Respondeu-lhes Jesus: Não vos escolhi a vós, os doze? Contudo, um de vós é o diabo. 

“71 Referia-se a Judas, filho de Simão Iscariotes; porque era ele o que O havia de entregar, sendo um dos doze”. 

 

Por Amor a Jesus, superar as provações

Por conseqüência, quando o Cristo Ecumênico vier com um discurso desafiador, uma genuína provocação — o que é uma constante na vida dos Seus legítimos discípulos —, não fuja como fizeram diversos dos falsos seguidores do Divino Mestre. Chamo-lhe de novo a atenção para o fato de que aqueles setenta discípulos realizaram verdadeiros prodígios para os quais eles não estavam capacitados, apenas o fizeram porque o Poder de Deus baixou sobre eles. Porém, quando Jesus resolveu testá-los e a outros mais que O acompanhavam, fez-lhes aquela preleção forte e eles reclamaram: “Não podemos suportar esse discurso!” E foram se afastando. Ficaram somente doze. O Celeste Pastor corajosamente virou-se então para os que restaram e argüiu-lhes: — E vós também quereis ir? Se quiserdes podeis ir.

 

O testemunho das mulheres

Mas eles ficaram, não foram atrás do “lobo”, embora um O tenha traído, outro O negado e a maioria se escondido com grande temor*6 no mais dramático dia da indescritível provação do Mestre; menos João Evangelista, que esteve lá, na terrível hora da crucificação, com Maria, Mãe de Jesus; sua irmã; Maria MadalenaMaria, mulher de Clopas; e a mãe dos filhos de Zebedeu; possivelmente Joana de Cuza e tantas mais que o Evangelista não pôde anotar.

Prestem atenção à força de caráter daquelas mulheres! Não fugiram! É preciso que todos se espelhem no testemunho dado por elas nos instantes derradeiros de Nosso Senhor Jesus Cristo, e com igual bravura perseverem até o fim.

Bem a propósito, a íntegra do notável manifesto aos jovens, que a veemente jornalista e escritora Nina Arueira (1916-1935) escreveu — anotem bem isso em seus corações — aos 15 anos de idade:

 

“À Mocidade de Minha Terra*7

“Acordai, gente de minha terra, porque o dia se alevanta por sobre tudo, a noite dos sonhos e das insônias se diluiu na luz; cortejos brancos de fulgores venceram as trevas e sobre elas implantaram sua vitória… 

“Despertai para o trabalho; despertai para a vida… Vossas almas são capazes; estirai vossos membros, distendei vossos nervos, firmai vossa vontade, cantai vosso hino de alegria e entusiasmai-vos com o sol, com os pássaros, com as flores… 

“A criação palpita; a natureza canta; os elementos rumorejam… 

“E vossos corações palpitam inutilmente, moços de minha terra? E vossos espíritos não se expandem em vós? 

“Sonhai sonhos de glórias, de altitudes e caminhai valentes para os vossos ideais; parti como bandeirantes sobre o destino e mostrai ao mundo vossos esforços… 

“Tende consciência de que sois homens; homens úteis; homens fortes; homens sábios. 

“Abominai o tédio; Abominai a inutilidade, odiai o pessimismo… Tudo que é humano vos é possível. 

“Não sejais nunca fracos, parasitas e imprestáveis. Criai uma lei para o vosso culto: o Dever. Uma sabedoria para o vosso exemplo: a Disciplina. Não vos orgulheis de vossas vitórias, mas orgulhai-vos de vosso fito. 

“Envergonhai-vos de não serdes espiritualmente poderosos; o raciocínio, o espírito, o engenho, o corpo evoluído sobre todos os irracionais, vos dizem que não deveis ser pequenos; caminhai para o sol; para as luzes; procurai a Beleza, embelezai vossas vidas; amai o Belo; impressionai-vos com a estética; o que é feio não vos atraia; que o Feio vos horripile; que o Feio vos cause náuseas, e porque não vos é possível desdenhar o corpo deformado, procurai a beleza do espírito, muito mais impressionante que as deformidades da matéria. 

“Cantai a alegria, glorificai a vida; sede otimistas, porque sereis fortes, sereis bons. Não vos deixeis prender por preconceitos e por idéias alheias; convencei-vos de que deveis ser os reformadores da civilização, os implantadores de um novo mundo. 

“Nada vos detenha; sereis sábios, Hércules, semi-deuses se quiserdes adotar este princípio da teosofia: ‘os homens são deuses em evolução’.

“Olhai na história antiga; porque não podeis ser mais sábios que Salomão, quando Salomão era humano? Por que não podeis ser mais artistas que Praxíteles, maiores que Júlio César, que Platão, que Horácio, que toda essa constelação antiga de antigas civilizações? 

“Vós que nascestes num mundo mais propício por que não sois grandes, maiores que os maiores? 

“Tendes asas; por que não voais? Tendes poder; por que não governais? 

“Que estranha sucuri vos tolhe os membros que não vos moveis, que não vos agitais? 

“Que houve de tão extraordinário que vossas vozes não retumbam? 

“Envergonhai-vos de não serdes… Levantai-vos e sede. Que a Morte não vos desfaleça o ânimo; vossos filhos serão vossos continuadores; a posteridade lembrar-se-á de vós. 

“Não temais a grandeza de vossos ideais. Se os não realizardes todos, o amanhã terminará vossas obras. 

“Cantai a alegria de viver; não sejais ‘compassivos’ para com os fracos e os desiludidos; sede enérgicos para com eles; a energia desperta a energia.

“Não vos embriagueis com os vossos feitos; se vencerdes um degrau, outro vos estará esperando. Sede maiores que o momento, estai além de toda fama; que a possibilidade não se extinga para vós. 

“Não estacioneis; caminhai sempre; em planícies ou ascensões, ide até o fim… porque sois homens (e mulheres) para quem todos os projetos são realizáveis porque tudo o que o espírito vos oferta já foi trabalhado, como em um serviço fotográfico: o espírito labora a prova; vós copiareis no papel próprio.

“Não vos arreceeis de rugidos; as feras rugem, mas podeis domá-las para não serdes vencidos por elas. 

“Não vos desanimem os obstáculos; convencei-vos de que sois mais fortes que as barreiras e arredai-as. 

“Tende por obrigação realizar o melhor em cada dia; formai vossos métodos diários e segui fiéis, a disciplina que houverdes adotado em vossos hábitos. Não digais nunca que ‘não tendes tempo’; procurai dividir vossas horas de ocupações e recreio e sempre tereis uma hora para outra coisa; cantarolai em vossos descansos; fantasiai vossos momentos de folga; ride, ride de tudo e para tudo; procurai a música; não vos é difícil encontrar essa grande amiga do espírito, esse seio amigo onde vossos cérebros podem repousar, deliciosa e confiantemente.

“Procurai a arte; deleitai vossos olhos na harmonia das cores ou na pureza das linhas; cercai-vos do Belo, criai-o em vós. 

“Deixai vossos corações evoluírem já com vossos cérebros; amai pois, amai a vida, as crianças, as flores e as coisas; amai, que o amor espiritualiza a matéria; o amor é a base sólida da fraternidade; o amor vos iluminará o mundo; quanto mais amardes, menos maus sereis, quanto mais amardes mais bem tereis semeado. Mas, vede: amar não é desejar; amar é divino, desejar é humano e grosseiro. E vós, deixai-vos progredir, não só por vós, mas para que sejais o despontar de uma raça forte, de uma civilização mais firme. 

“Idealizando e realizando sereis homens (e mulheres) superiores; amando, sereis espíritos tocados da pureza do Nirvana. Não permitais que vos enraiveçam, colocai-vos acima dos pequenos vermes e répteis para que seu veneno não vos alcance; se vos quiserem ferir o bom humor, cantai e sorri. 

“Assim sereis grandes, assim sereis fortes, assim tereis uma moral sem hipocrisia… Sobretudo, não finjais humildade, nunca; seríeis antes grutas escuras onde se esconderiam víboras.

“Caminhai, pois, mocidade de minha terra; caminhai liberta de idéias alheias; firme no propósito de galgar as maiores altitudes; certa de que nada vos cortará o vôo; caminhai moços de minha terra e fazei da mocidade campista*8 a primeira mocidade do mundo…

“Segui; se a vaidade vos sussurrar que já alcançastes muito, perguntai a vossos feitos e eles vos apontarão a ânsia que substitui cada descoberta vossa; quanto mais caminhardes para a curva do infinito, tanto mais distante ele vos seduzirá, e instante a instante mais belo, de novos cambiantes de outros mistérios. 

“Enchei vossos sonhos de altitudes; enchei vossos olhos de sonhos e parti; alcançareis vitórias, mas que elas não apaguem da vossa mente o ideal da última vitória… 

“A última glória é a geração dinâmica que preparais… Avante!” 

 

Diante de tão eloqüentes expressões da apaixonante poeta Nina, convém mais uma vez recordar a admoestação do Mestre Jesus, ó jovens de todas as idades:

 

“Na vossa perseverança, salvareis as vossas Almas” (Evangelho do Cristo, segundo Lucas, 21:19).

 

Jamais desonrem, portanto, o compromisso assumido com Ele.

Não há “lobo” que nos intimide, porquanto, seguros estamos na Divina Segurança das seguras mãos de Jesus.

E para todos os que pacientemente até aqui me acompanharam, o Conforto Celeste e a Bênção Divina do Apocalipse do Cristo de Deus, capítulo final (22), versículos 20 e 21:

 

“20 Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente venho sem demora. Amém. Ora vem, Senhor Jesus! 

“21 A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós para todo o sempre. Amém”.

 

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*1 Obras de Boa Vontade — Formadas pela Legião da Boa Vontade, Religião de Deus e Fundação José de Paiva Netto.

*2 Boa Nova — Assim também é conhecido o Evangelho, do grego Euangélion e do latim Evangeliu.

*3 Caridade: Estratégia de Deus — Paiva Netto aborda mais amplamente o assunto em suas obras O Capitalde Deus, Sociedade Solidária Altruística Ecumênica e na coleção O Apocalipse de Jesus para os Simples de Coração (da qual fazem parte os livros As Profecias sem Mistério, Somos todos Profetas e Apocalipse sem medo), coleção esta que já atingiu a expressiva marca de 1,3 milhão de exemplares vendidos.

*4 Cristianismo do Cristo  O cristianismo dos homens realizou — utilizando-se da figura excelsa do Divino Mestre — muitos feitos contrários às lições de Amor e Justiça deixadas pelo próprio Jesus nas Escrituras Sagradas.

*5 (…) maioria é apanhada de surpresa  Recordo-me que, em suas prédicas legionárias, o saudoso jornalista, radialista, escritor e poeta Alziro Zarur, costumava afirmar que “é preciso preparar o Brasil e o Mundo para os fatos previstos por Jesus no Seu Evangelho e no Seu Apocalipse. Nenhum Legionário de Deus será apanhado de surpresa”.

*6 (…) a maioria se escondido com grande temor — Importante ressaltar que, após o traumático evento do Gólgota, muitos dos Apóstolos e discípulos do Divino Taumaturgo se redimiram da fraqueza momentânea, tornando-se testemunhas fiéis e corajosas da redentora Mensagem do Cristianismo do Cristo. Fato registrado pelo Evangelista São Lucas em Atos dos Apóstolos de Jesus.

*7 À Mocidade de Minha Terra — Texto publicado na Revista Espírita de Campos, edição de janeiro/fevereiro de 2000.

*8 Campista — Nina Arueira refere-se à mocidade de Campos, Estado do Rio de Janeiro.

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